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Visto em 2014 - Temporadas 1,2,3

Nota: 7

Primeiro estranha-se, depois entranha-se. Hey girl, watch’a doing? 

Lido em 2014

“On the ride back south, she tapped all the anger-management tricks they’d given her in job training. They played across her windshield like PowerPoint slides. Number One: It’s not about you. Number Two: Your plan is not the world’s. Number Three: The mind can make a heaven of hell, a hell of heaven. ” 

Nota: 7

O Eco da Memória é a história de Mark Schlutter, um jovem do Nebraska que sofre um acidente brutal, Karin Schlutter, a irmã que entra em pânico quando este a acusa de ser uma impostora, e Gerald Weber, um famoso neurologista contactado para socorrer este complicado caso de Capgras. 

Confusos? Vamos por partes.

A verdade é que este livro é narrado pelos três protagonistas, alternando entre eles sem qualquer aviso prévio, entre o que está a acontecer no momento e simultaneamente dentro da mente de cada um deles. 

Mark Schlutter é um homem-rapaz do Nebraska, trabalha numa fábrica de carnes, joga videojogos o resto do tempo, acompanhado pelos amigos também não muito brilhantes. Certa noite tem um acidente de carro inexplicável, numa estrada deserta. Alguém anónimo pede socorro, Mark é levado para o hospital num estado quase irremediável. Na mesa de cabeceira é lhe deixado um bilhete enigmático. Karin voa para o hospital para mais uma vez resgatar o irmão (estamos prestes a descobrir que a família Schlutter é qualquer coisa) e acompanha-o nos meses seguintes. Mark recupera de forma miraculosa, o único senão - está convencido que Karin é uma impostora a fazer-se passar pela irmã e que foi envolvido numa conspiração levada a cabo pelo governo americano. Tudo lhe parece quase igual, mas não o é. Mudaram as pessoas, as casas, até a própria cadela. É aqui que chamam o Famoso Gerald, Gerald Weber um conceituado neurologista e autor. Mas este caso de Síndrome de Capgras desenrola-se de forma totalmente  imprevisível e sem precedentes.

Depois de nos habituarmos às constantes mudanças de narrador, o livro torna-se extremamente interessante, pecando apenas pelo uso exagerado de termos clínicos e portanto indecifráveis para um público leigo. 

Gostei particularmente do questionar constante das noções de eu, consciência e realidade, e também do paralelismo com as aves que também são protagonistas desta história. Recomendo.

Visto em 2014

Nota: 5

Quando li o The fault in our starts já sabia que existia o filme, já sabia que todos o descreviam como uma choradeira pegada, mas resisti e li o livro primeiro. E adorei, cada página. Com choradeira ou sem choradeira foi dos melhores livros que li este ano. Por isso as expectativas estavam altíssimas. Gostava da escolha para os actores principais. Tudo parecia encaminhar-se na direcção certa. Fiquei triste por verificar que o filme fica muito aquém do prometido. Apesar de haver uma boa dinâmica entre o par principal muito ficou por descrever, muito pormenores interessantes que fazem do livro uma obra diferente e interessante. Vou concluir pondo a coisa nos seguintes termos: o livro é interessante, hilariante e comovente, o filme é daqueles para se ver a comer pipocas ao domingo à tarde quando apetece ver uma coisa levezinha. 

Lido em 2014

Nota: 8

Com a leitura destes três livros completei a saga das Brumas de Avalon e o juízo final não poderia ser melhor. Marion Zimmer Bradley descreve com mestria a lenda do Rei Arthur e aquilo que se passou nos bastidores, devolvendo à mulher a importância que é sua por direito. Aconselho vivamente a todos os que se interessam pelo imaginário medieval e sobretudo pelo conceito de Deusa, mãe da natureza e dos homens. Muito mas mesmo muito bom. 

Lido em 2014

“ A essência de algo é invisível aos olhos, dizia U May. Aprenda a perceber a essência de algo. Os olhos podem mais prejudicar do que ajudar, nesse aspecto. Eles nos distraem. Adoramos nos deslumbrar.” 

Nota: 8

A arte de ouvir o coração à primeira vista pode ser confundido com um livro de auto-ajuda mas, ainda que contenha lições importantes, está longe de descrever uma série de passos obrigatórios para o sucesso e a auto realização. Esta obra escrita por Jan-Philipp Sendker é na verdade uma história maravilhosa sobre aprendermos a prestar atenção aquilo que realmente interessa. Não sei deixem enganar com um início que parece ter sido retirado de um romance policial pois à medida que vamos acompanhando Julia na procura do seu pai, a narrativa transforma-se e ganha novos protagonistas, Tin Win e Mi Mi, dois jovens peculiares, que descobrem como não ver ou andar só é um impeditivo para as mentes mais desprovidas da vontade de viver. O livro é composto por pequenos momentos simplesmente maravilhosos e brilhantes, como o momento em que Tin Win descobre que o coração de Mi Mi tem um bater único e inconfundível. Essa é a mais maravilhosa melodia que já ouviu e aquela que ouviria até ao final da vida, mesmo estando a milhares e milhares de quilómetros de distância. Porque a vida só tem sentido com sofrimento e com amor. E tudo o resto flui dessa mesma lição. Maravilhoso.

Lido em 2014

"Na adolescência, sonhamos com o dia que deixaremos os nossos pais, num outro dia são os nossos pais que nos deixam. Nessa altura, não sonhamos com mais nada senão em podermos voltar a ser, nem que seja por um instante, a criança que vivia sob o tecto dos nossos pais, tomá-los nos braços, dizer-lhes sem pudor que os amamos, apertá-los contra nós para que nos tranquilizem ainda mais uma vez."

Nota: 8

O ladrão de sombras é a história de menino com um dom fabuloso, a capacidade de conversar com as sombras das outras pessoas, de se colocar no lugar delas e compreender o porquê das suas atitudes e receios. Ao longo do livro acompanhamos parte da infância e crescimento do protagonista, até que ele se torna adulto, sem nunca deixar a sua sombra de rapaz para trás. É uma história maravilhosa e tocante de como nos entendemos e de como entendemos os outros. Os pais, os amigos, simples desconhecidos, encontros ocasionais, vizinhos, colegas. De como é crescer e ter de deixar a criança para trás, ter de estar presente no agora. A escrita surpreendentemente simples de Marc Levy reforça esta sensação de inocência, de ingenuidade, do amor simples e sentido. Foi o primeiro livro que li escrito por Marc Levy, mas não será certamente o último. 

Visto em 2014

I had wings once, and they were strong. But they were stolen from me.”

Nota: 7

O que me chamou a atenção neste Maleficent foi a participação de Angelina Jolie e o facto de ser um filme baseado no vilão e não no herói. O resultado não podia ser mais positivo e esta história, que sempre foi das menos interessantes da Disney, adquiriu outro encanto. Esta não é a história da Bela Adormecida, é a história da Maléfica, que afinal era a fada protectora de um mundo mágico e a quem o primeiro amor lhe roubou as asas juntamente com o coração. Para além de um mundo mágico maravilhoso, a Disney recria uma Maléfica magnífica, cheia de ironia e sentido de humor, uma vilã surpreendentemente maternal e protectora. E para fechar com chave de ouro, a moral da história que descreve uma verdade indiscutível no ser humano, o mundo não se divide entre heróis e vilões. Todos somos ao mesmo tempo uma e outra coisa. Altamente recomendado.

Lido em 2014

"Mais tarde, também eu arrancarei o coração do peito para o secar como um trapo e usar limpando apenas as coisas mais estúpidas.”

Nota: 9

A Desumanização de Valter Hugo Mãe foi talvez a coisa mais bela e simultaneamente mais triste que já li. Uma declaração de amor invulgar, a história de uma menina que perde a irmã gémea, as suas questões acerca da morte, da vida, do amor, do eu. Com palavras o autor pinta um dos quadros mais belos e emotivos que já tive oportunidade de testemunhar. Se a pintura se fizesse com palavras sem dúvida Valter Hugo Mãe seria o melhor dos pintores. Impressionante a capacidade de nos transportar para aquele ermo gelado e esquecido pelo mundo, para o interior daqueles gentes e dos seus estranhos costumes. A certo momento senti que também o monstro da tristeza se arrastava por mim a dentro e me consumia. Tudo neste livro é diferente do que estamos habituados e ainda assim tudo é tão profundamente humano e próximo. Estar vivo é difícil, por vezes é devastador, deprimente, mas Valter Hugo Mãe relembra-nos o quão maravilhoso pode ser, ainda que nem sempre tenhamos a capacidade de nos recordarmos disso. 

Lido em 2014

"Não posso remediar erros, se é que foram erros, cometidos por homens mortos antes que eu nascesse. Já tenho muito o que fazer para reparar os meus próprios erros, e não viverei o suficiente para vê-los todos reparados. Mas farei o que estiver ao meu alcance, enquanto eu viver."

Nota: 8

Escrito por Marion Zimmer Bradley, A senhoria da magia, é o primeiro dos quatro volumes que compõe As Brumas de Avalon e o que mais gosto nesta história é a decisão inovadora de contar a lendária história do Rei Artur, mas desta vez do ponto de vista feminino. Esta é portanto a história das mulheres que desempenharam um papel crucial nos acontecimentos. Recuperando os antigos cultos da Deusa, com as suas sacerdotisas e druidas, o imaginário criado por Marion Zimmer Bradley é fascinante e requer alguma paciência e concentração. Avalon não é light, é quase como se o leitor fosse também um iniciado nos mistérios da Deusa e de todos os deuses e como tal tivesse se suportar pacientemente os ritos de iniciação até deter o conhecimento que lhe permite ponderar com o seu próprio juízo cada situação. Começamos por conhecer Igraine e Gorlois, pais de Morgaine, Morgause, sua tia e futura rainha de Lot, e claro Viviane, a Senhora do Lago, a Grã-Sacerdotisa. Neste primeiro livro é-nos também apresentado Uther Pendragon, pai daquele que será responsável pela salvação da Bretanha, Arthur. Durante o primeiro volume acompanhamos a infância e adolescência de Morgaine, bem como a difícil formação de sacerdotisa. No final do livro descobrimos ainda a história por detrás da famosa Excalibur. 

Para além de relatar os acontecimentos políticos e religiosos que se encontram em conflito na Bretanha, a autora centra-se no papel das mulheres, nos casamentos arranjados, na medição de forças entre concepções diferentes relativamente ao peso que a mulher deve ter na sociedade. O Deus e a Deusa. 

O primeiro recomenda-se. Vamos então ao segundo volume da saga!

Visto em 2014

"We’re all traveling through time together, every day of our lives. All we can do is do our best to relish this remarkable ride."

Nota: 7

À primeira vista About time é uma comédia romântica com um pressuposto interessante, a possibilidade de voltar atrás no tempo e corrigir o que fazemos ao longo do caminho. Mas o que gostei verdadeiramente neste filme foi a mensagem principal, o aprender a ver o lado positivo e precioso da vida, sem necessidade de viver duas vezes. Vamos corrigindo à medida que progredimos, mas não devemos deixar que os momentos difíceis e as coisas negativas levem a melhor. Existem maus momentos que têm de ser vividos para sabermos dar valor às coisas boas. Para crescermos. E foi isso que de mais precioso retirei deste filme. Gostei de sentir que estava a observar uma família genuína, apesar de não o serem. De sentir que estava a observar algo precioso e único. O elenco é mesmo muito bom, senão fantástico. Comédia romântica? No sir. Much more than that. Este filme, tal como a vida, confirma que a beleza está nas coisas mais simples, nos pormenores mais insignificantes. 

Visto em 2014

"When you lose that cat that gave you the sound that nobody else could, it hurts. Hurts more than losing your woman."

Nota: 6

Cadillac Records conta como os blues conquistaram a América, abrindo caminho para géneros como o Rock and Roll e outros. É a história da Chess Records e todos os artistas famosos pelos quais foi responsável pelo lançamento, entre eles, Muddy Watters, Little Walter, Chuck Berry e Etta James. O filme mostra a fama nos melhores e nos piores momentos, o que é preciso fazer para a conquistar e o que acaba por acontecer quando estes talentosos artistas se deixam levar pelo seu lado mais negro. Os desempenhos musicais são memoráveis, entre os quais o famoso At last de Etta James, aqui cantado pela Beyonce. Um bom filme acerca da cultura musical afro-americana.

Thanks for being great Robin. Nothing but great. Always <3

Visto em 2014

“Everything want to be loved. Us sing and dance and holler, just trying to be loved.”

Nota: 7

The Color Purple é um filme de 1985 que não agradará com certeza a todos mas que a mim me comoveu pela grandeza deste amor entre irmãs, pela perseverança e força destas mulheres que aguentavam firmemente os abusos de pais, maridos, sogros e filhos. Especialmente a pobre Celie, papel desempenhado por Whoopi Goldberg, que aguentou como uma valente todos os maus tratos aos quais foi sujeita durante toda vida. Violada pelo pai, que mais tarde era afinal o padrasto, deu à luz dois filhos dos quais foi forçada a separar-se, sofreu abusos do marido a vida toda, mas mesmo assim encontrou sempre amor e paciência dentro de si. Para além dos abusos cometidos pela própria família, Celie é negra e portanto tem de suportar também o racismo e a crença idiota, mas comum na época, de que os negros são seres humanos de uma categoria inferior. Mas Celie nunca se tornou amarga ou intratável. E é esta força, comum a muitas pessoas que passaram por situações semelhantes, que comove e toca cá dentro, que a distingue e torna mais forte. Brilhantes desempenhos. Gostei especialmente de Whoopi, Margaret Avery e de uma jovem Oprah Winfrey. 

Lido em 2014

"Não pertenço à Abnegação ou à Audácia, nem mesmo aos Divergentes. Não pertenço ao Departamento, ao experimento ou à margem. Pertenço às pessoas que amo, e elas pertencem a mim. Elas, junto com o amor e a lealdade que eu lhes ofereço, formam a minha identidade muito mais do que qualquer palavra ou grupo jamais formará."

Nota: 9

E quando eu achava que esta trilogia não podia ser mais interessante eis que a autora revela o que está para lá da cidade, o que é afinal a cidade. Nada mais nada menos que uma experiência, manipulada e vigiada vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana, durante gerações que se sucedem umas após as outras. Genial. É impossível não pensar em todas as dúvidas acerca do propósito da vida. O que somos afinal? Porque existimos? Seremos um produto de uma raça superior e mais inteligente? A questão do ADN é finalmente revelada e esta nova realidade consegue ser ainda mais interessante que a anterior. A experiência tem a oportunidade de se observar a si própria. Já nada parece ser verdadeiro ou fazer sentido. Os personagens principais têm de lutar com esta nova perspectiva e as suas alterações irreversíveis. Conhecer a verdade ou permanecer na ignorância? Até que ponto os meios justificam os fins? Quais são afinal os verdadeiros problemas? Como justificamos as acções de um ser humano? Como modificar o ser humano? É simplesmente genial como uma obra de ficção científica consegue tocar em tantos dos pontos que sempre incomodaram e inspiraram o ser humano. Cheguei ao final e a tristeza tomou conta de mim. Queria saber mais acerca deles. Queria que o final fosse diferente. Existem tantas questões por responder. Tanto que ficou por fazer. O que é bom acaba sempre demasiado depressa.