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No matter how quiet and conformist a person’s life seems, there’s always a time in the past when they reached an impasse. A time when they went a little crazy. I guess people need that sort of stage in their lives.

Lido em 2014

“No one believes more firmly than Comrade Napoleon that all animals are equal. He would be only too happy to let you make your decisions for yourselves. But sometimes you might make the wrong decisions, comrades, and then where should we be?” 

Nota: 8

Em Animal Farm George Orwell faz uma analogia brilhante entre o que aconteceu em muitos países comunistas e uma quinta onde os animais decidem levar a cabo uma revolução contra os humanos. Sobre o princípio da liberdade e da igualdade, a comunidade animal estabelece o Animalismo, ideologia segundo a qual todos os animais estão em pé de igualdade, todos trabalham de acordo com as suas capacidades e os louros do trabalho são divididos por todos de forma igualitária. Não faz sentido serem escravos do homem, ser que não produz apenas explora, e por isso revoltam-se e expulsam Jones, o dono da quinta que então se passa a chamar Animal Farm. Sob sete mandamentos fundamentais os animais trabalham para levar a quinta a bom porto e tornarem real o seu sonho de maior fartura e felicidade. Mas como aconteceu em todos os países onde o regime comunista acabou por se tornar um regime totalitário, todos os animais são iguais mas há animais mais iguais que outros. Os porcos, dotados de maior inteligência, começam a gerir as operações e pouco a pouco vão apoderando-se do domínio da quinta e dos animais, com recurso ao medo, à fome e aos sentimentos patrióticos. No final é impossível distinguir os porcos dos homens e até a velha máxima “quatro pernas bom, duas pernas mau” é colocada em casa, quando os porcos passam a caminhar sobre as duas patas traseiras. O autor consegue explicar as falhas dos regimes comunistas de uma forma tão simples quanto genial, trocando tudo por miúdos e reduzindo a ideologia e a sua aplicação prática ao mais elementar. Embora direccionado especificamente à União soviética, Animal Farm faz-nos pensar nas falhas inerentes às ideologias pensadas pelos homens. Haverá sempre uns mais iguais que outros, ou na verdade, uns mais ambiciosos que outros. E entre guerras, conquistas, mortos e feridos essa é uma cruz que todos, de uma forma ou de outra, acabamos por ter de carregar.

Lido em 2014

“The best thing, though, in that museum was that everything always stayed right where it was. Nobody’d move. You could go there a hundred thousand times, and that Eskimo would still be just finished catching those two fish, the birds would still be on their way south, the deers would still be drinking out of that water hole, with their pretty antlers and they’re pretty, skinny legs, and that squaw with the naked bosom would still be weaving that same blanket. Nobody’s be different. The only thing that would be different would be you.”

Nota: 7

The Catcher in the Rye ou Uma agulha num palheiro foi o primeiro romance publicado pelo americano J.D Salinger e um êxito imediato. O romance narra a história do adolescente Holden Caulfield, um jovem de dezassete anos vindo de uma abastada família nova-iorquina. Tudo é contado na primeira pessoa e um fim-de-semana na vida de Holden parece valer por uma vida. O livro centra-se principalmente nas tensões, conflitos e problemas da adolescência. No querer crescer mas não querer que as coisas mudem. Holden é claramente um adolescente perturbado pela morte do irmão, isso é evidente em vários momentos da história. Arrasta-se de escola em escola, interessando-se por tudo e por nada. O ritmo da narrativa é alucinante. É brilhante como o escritor consegue fazer-nos sentir dentro da mente de Holden, onde os pensamentos voam a mil à hora. Cenas reais são misturadas com pensamentos filosóficos, recordações, mentiras, visões de vida, aspectos aparentemente nada relevantes, curiosidades, entre tantas outras coisas. Holden certainly has a lot on his mind e isso é palpável. Este personagem principal é dos mais complexos e interessantes que já tive a oportunidade de conhecer. Gostei também da forma como o autor dá cor à narrativa, as expressões utilizadas dão um cunho muito próprio à personagem e ao contexto em que se insere. 

Ao pesquisar sobre o livro descobri que está envolto em circunstâncias um tanto ou quanto macabras:

- Mark David Chapman (quem matou John Lennon) parece ter-se inspirado no livro para cometer o crime;

- Também o homem que tentou matar Ronald Reagan afirmou o mesmo; 

- O assassino de Rebecca Shaeffer (modelo e estrela de televisão nos anos 80) também levava consigo o mesmo livro quando cometeu o crime. 

E como estas existem várias outras histórias. Que poderá isto dizer? Ter-se-ão identificado com o jovem perturbado Holden Caulfield? Terá o autor tocado num ponto fraco? Creepy but interesting! 

Um livro que vale a pena ler!

Visto em 2014

"We’re not going to fight them we’re going to transcend them."

Nota: 6

Transcendence parte de uma premissa que não é totalmente nova mas que é desenvolvida duma forma original. O assunto é a inteligência artificial, até onde podemos chegar, até onde devemos chegar. Até que ponto podemos transcender certos limites? Johnny Depp é Will Caster, um cientista brilhante que trabalha em conjunto com a mulher, Evelyn Caster, para desenvolver novas possibilidades no campo da inteligência artificial. Mas se o casal se deslumbra com as novas possibilidades, existem outros que não estão tão satisfeitos com cientistas que querem ser Deus. A história aborda também o quão dependentes estamos da internet, dos smartphones e outros dispositivos, de termos mais possibilidades de comunicação mas estarmos cada vez mais desligados do contacto com outros seres humanos. É um tema controverso e fracturante, mas não podia ser mais oportuno. Até aqui nada de novo. A novidade surge quando não falamos de robôs, mas sim de uma pessoa que consegue abandonar os limites físicos e viver na rede. Abandonados os limites antigos, há todo um novo mundo, triliões de possibilidades por explorar. As fronteiras esbatem-se e desaparecem. Como distinguir agora o que é certo e feito em prole da humanidade, e quais os limites que não podem ser cruzados? O filme é rico em efeitos especiais bem conseguidos, tem um bom elenco, mas faz-me falta um bocadinho mais de Johnny Depp. Ainda assim são óptimos os desempenhos de Rebecca Hall e Paul Bettany. Infelizmente o Morgan Freeman e o Cillian Murphy têm poucas hipóteses de brilhar. Ficou a faltar mais desenvolvimento acerca de um mundo sem internet. Tenho muita curiosidade em saber como seria se fossemos confrontados com esse cenário.

Visto em 2014

On ne dit pas « au revoir » aux clients qui sortent de chez nous. On leur dit « adieu » puisqu’ils ne reviendront jamais.”

Nota: 8

Le Magasin des Suicides, uma animação de Patrice Leconte, é pura e simplesmente deliciosa. A historia foca-se na família Tuvache, que dirige uma invulgar loja de suicídios, isto é, um sítio onde é possível adquirir todo o tipo de ferramentas e auxiliares no acto de pôr termo à vida. Parece mórbido bem sei, e é, mas consegue falar-nos de coisas importantes como a individualidade que se esgota nas cidades cinzentas enquanto o desespero se apodera de nós, de um forma completamente refrescante e original. Há décadas que a família Tuvache gere esta respeitável casa, os filhos são carrancudos, os pais dotados dum delicioso humor negro. Mas este negócio de família sofre um abalo com a chegada do petit Alain, o único dos três filhos que tem a chamada joie de vivre. A ilustração é genial, bem como a complexidade dada a cada uma das personagens, tem um quê de musical sem entrar no modo Disney e é extremamente divertido. Se ainda não vos convenci vejam o trailer. O narrador é qualquer coisa! Merveilleux!

Piano Concerto No.23 A, K. 488 - Wolfgang Amadeus Mozart

Wonderful <3

Lido em 2014

Memórias, embustes, traições, homicídios, sermões de pastores evangélicos, crónicas de futebol, gastronomia, um inventário de sons, uma viagem de autocarro, as manhãs de Domingo, meteorologia, o Apocalipse, a Grande Pintura de 1990, o inferno, os pretos, os ciganos, os brancos das barracas, os retornados: a Humanidade inteira arde no Bairro Amélia.”

Nota: 9

As primeiras coisas, primeiro romance de Bruno Vieira de Amaral, é um regresso ao Bairro Amélia, bairro de retornados na Margem Sul, inspirado no Bairro do Fundo de Fomento, mas mais que isso um regresso às gentes, acontecimentos e costumes que são/foram as linhas e retalhos de tão singular tapeçaria. O escritor inventaria pessoas e acontecimentos, de forma metódica mas nem por isso convencional. Não é bonito, não é saudosista, embora às vezes também o seja, é o que foi, o que se disse ter sido. São factos, crendices, boatos. É a ligação aos lugares aos quais ficamos para sempre enraizados e às pessoas que os compõem. Achei-o cru, às vezes brutal, e gostei mais dele por isso. Porque capta a essência daquele lugar e daquelas pessoas de uma forma brilhante. Suja, feia, por vezes putrefacta, mas brilhante.

A história de Israel/Palestina/Canaã. Arrepiante.

Criadora: Nina Paley

Música: Andy Williams

Vistas em 2014 - 5ª e 6ª Temporada

Nota: 9

Não podia existir imagem mais apropriada para descrever a situação de Donald Draper na 5ª e na 6ª temporada, a nova agência quase vai por água abaixo, junta-se ao inimigo Ted Chaough, recupera Penny mas descobre que já não a domina nem inspira, casa-se mas depressa trai a mulher, que por sua vez é diferente de Betty e não está pelos ajustes, tem um caso com uma vizinha que é descoberto pela filha, deixando assim de inspirar respeito ou devoção, é incapaz de se mover sem ser a álcool, resolve ir do oito ao oitenta e revela segredos sobre a sua vida nos piores momentos, perde completamente o controlo nas situações mais inusitadas, o que lhe vale um cartão vermelho. Afastado da empresa, está agora de plantão em casa à espera de ser chamado. Quem diria que isto poderia acontecer ao poderoso D.Draper? Kudos para os argumentistas da série!

Visto em 2014

Nota: 5

Sooo Optimus Alive 2014.. Eu nunca tinha ido ao Optimus Alive, mas parecia-me uma coisa assim para lá de fenomenal. Não é fenomenal. É bom, mas não é fenomenal. O espaço é mais agradável que o do Rock in Rio, tem muito sítio onde comer e beber, está bem organizado, não há tanta correria aos brindes, nem tanta poeira mas os diversos artistas não foram propriamente colocados nos palcos acertados. A enorme variedade de artistas também faz com que seja praticamente impossível seguir decentemente os artistas que se quer ver. Mas pelo menos existe variedade. E qualidade.

Russian Red - Do pouco que ouvi gostei bastante, foi até mais animado do que previa.

Sam Smith - Surpreendeu-me bastante pela boa energia, pela empatia criada com o público e pelo facto de haver muita gente a cantarolar as letras do cantor que ficou mais conhecido depois da sua colaboração com os Disclosure e Naughty Boy. Sam Smith tem um vozeirão e transmite uma energia serena, sem tiques de estrela ou sensualão, faz-nos sentir em casa e desfrutar.

MGMT - Infelizmente os norte-americanos não foram suficientes para conquistar o entusiasmo do público, apresentando-se num registo acústico e bastante apagado. Tive muita pena, porque queria mesmo muito que tivesse sido espectacular. Na minha opinião tinham ficado melhor no palco secundário, com menos público, num ambiente mais intimista. 

The Black Keys - Outra banda que apesar de ser o grande cabeça de cartaz não cumpriu. Não estiveram mal, mas a sensação que tive foi que estar no concerto ou a ouvir o cd é exactamente a mesma coisa, ou pior, ouvir o cd é melhor porque consegue contagiar muito mais quem os ouve. Paragens longas entre músicas, onde as luzes se apagavam e não havia qualquer som ou interacção com o público, deram ao concerto o ar de soundcheck e cortaram por completo qualquer envolvimento que estivesse a estabelecer-se na música anterior.

Buraka Som Sistema - Os Buraka felizmente confirmaram a minha expectativa e deram um senhor concerto, com direito a temas novos e aos clássicos. Os músicos mantiveram o público atento, interagindo frequentemente, no seu registo completamente descontraído. Se isso funciona nuns momentos, já não acho que funciona tão bem noutros. A imagem dos Buraka é fortissima, os vídeos, as luzes, os efeitos especiais, tudo faz crer que estamos a ver uma banda internacional, mas depois momentos em que dezenas de miúdas invadem o palco tornam a coisa demasiado amadora e inestética. Eu sei que isto pode ser “a cena” deles, mas se fazia sentido noutros tempos não acho que faça agora, para além de contrastar totalmente com o cuidado colocado noutros aspectos. Nonetheless, o concerto de Buraka, a par com o de Sam Smith, foram para mim os melhores da noite, o que me fez sentir que o dinheiro do bilhete não tinha sido assim tão mal gasto. 

Outra coisa que me chamou a atenção, mas que não tem nada a ver com a organização e o festival em si, foi a enorme quantidade de adolescentes entediados que passavam os concertos a olhar para os smartphones com um ar aborrecido mas que no momento em que eram fotografados ou filmados pelos amigos para as redes sociais faziam umas poses muito rockeiras, de quem está a desfrutar pa caraças daquele mega evento (musical)social. Ainda me lembro do tempo em que o telemóvel num concerto servia apenas para ligarmos aos amigos que não tinham podido ir, para ouvirem aquela música especial. Chamem-me velhinha, mas tenho saudades desses tempos.

Stay with me - Sam Smith

Vista em 2014 - 3ª temporada

Nota: 7

Terminei finalmente a terceira temporada de Hart of Dixie que teve um final inesperado. George e Lavon a lutarem pela Lemon? A Cricket afinal é gay? A Lemon num cruzeiro de solteiros desesperados? E o que vai ser da Annabeth? Mais uma série que vai de férias. Damn you, silly season! 

and I shambled after as I’ve been doing all my life ater people who interest me, because the only people for me are the mad ones, the ones who are mad to live, mad to talk, mad to be saved, desirous of everything at the same time, the ones who never yawn or say a commonplace thing, but burn, burn like fabulous yellow roman candles exploding like spiders across the stars and in the middle you see the blue centerlight pop and everybody goes “Awww!”
— 出典:On the road - Jack Kerouac

Lido em 2014

"Trevlyn lands and Trevlyn gold,Heir nor heiress e’er shall hold,Undisturbed, till, spite of rust,Truth is found in Trevlyn dust."

Nota: 6

The Mysterious Key and What it Opened é um conto de suspense escrito por Louisa May Alcott que nos conta a trágica história da família Trevlyn. Tudo começa quando Richard Trevlyn recebe um estranho em sua casa, estranho esse que lhe revela um segredo de tal ordem escabroso que Richard morre de um ataque de coração e a sua mulher fica encerrada num estado de penitência e apatia durante as décadas seguintes. A resposta ao enigma é encontrada apenas nas últimas páginas da história, o que garante o interesse do leitor até ao momento final. Os momentos de suspense ao longo do texto estão muito bem conseguidos. É uma história bem diferente d’As Mulherzinhas de Alcott, o que é totalmente refrescante. Fiquei a ansiar que fosse todo um romance ao invés de apenas um conto.